Não, não vou falar sobre o Tiririca ter sido eleito. Quer dizer, falarei, mas sem fazer piadas, apenas constatando e sintetizando tudo que penso com essas eleições.
Sinceramente? Não estou surpreso. Nem um pouco, de verdade. Quem se surpreende ainda vive em um conto de fadas onde de uma hora para outra o nosso povo deixe de ser criança e passe a levar política a sério.

Somos uma massa de poeira com 200 milhões de grãos que só se movem quando o aspirador de pó é ligado. Aí pintamos nossas caras, vamos para a rua, até mesmo sem saber por que. Trabalhamos como cães e 1/3 desse trabalho é só para pagar o nosso Império Romano em tributos, os outros para pagar o colégio dos filhos, o plano de saúde, a o arame farpado no muro... E ninguém enxerga o absurdo que é gastarmos o que gastamos com o nosso queridíssimo e nefasto governo, para ele não nos dar educação, nem saúde, nem segurança. Pagamos duas vezes pelas mesmas coisas, isso quando podemos!
Somos um circo de horrores, também, onde a acomodação tradicional, os preconceitos velados e a bitolagem intelectual, são patrocinadores oficiais do espetáculo. Não nos levamos a sério porque sabemos que não é possível. Como levar a sério uma sociedade que prefere uma piada no Congresso a um hospital? Como levar a sério essas pessoas que votam em ídolos esportistas para um cargo que eles não fazem ideia de como funcionam, apenas por serem ídolos do esporte? Como levar a sério uma nação inteira que é transportada como gado em metrôs, trens e ônibus, mas que acreditam que a solução é comprar um carro? Como nos levar a sério se somos fruto de uma bela piada de português que foi nossa independência? Como levar a sério um país que celebra aniversário no ano em que começou a ser estuprado? Como levar a sério uma República fruto de um golpe militar? Como nos levar a sério se não percebemos nada disso em nosso cotidiano particular?
Quando era mais novo eu costumava chorar pelos erros dos meus irmãos brasileiros, pela falha que a maioria deles tem de compreensão dos fatos. Desisti e passei a rir dessa paródia de democracia que testemunhamos bienalmente. Hoje não rio mais. A graça acabou junto com a esperança. Fé? Nada mais vazio e desesperador do que tal sentimento, ainda mais relacionado a pessoas de carne e osso e suas decisões pré-fabricadas e sem direção.
Mas relaxem! Pior não fica.