Mostrando postagens com marcador crenças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crenças. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O discurso das fezes

 Estamos em 2013, porém há forças extremamente estúpidas e reacionárias tentando reverter o fluxo da evolução social.

 O Brasil tem apenas 25 aninhos de democracia, ainda há uma fragilidade muito grande no que diz respeito à liberdade de expressão, liberdades individuais, liberdade religiosa e etc. Por isso, movimentos, como dos fundamentalistas cristãos (não só evangélicos), ganham força no país.

 Esse tipo de reação de setores mais conservadores, que tem como objetivo principal na vida vencer uma batalha pokemon contra satanás, é sempre esperada. Não há nenhuma surpresa nesse barraco proselitista que vem se instaurando no país. O problema é que ele ganha legitimidade pelo apoio de diversas forças, oportunistas ou simplesmente estúpidas, tanto dentro do ambiente político, quanto em algumas camadas sociais. Pior ainda é que os argumentos utilizados são deturpações de conceitos como laicidade, liberdade religiosa e liberdade de expressão.

 De alguma forma, essas pessoas acham que sabem mais do que qualquer ser humano por seguirem uma doutrina religiosa, no caso a cristã. Eles sabem o que é melhor pra todos! É claro, pois o pequeno pombo chamado de espírito santo, tocou suas mentes insanas com seu pênis que engravida sem desvirginar. O que nós vemos são pessoas que só leram um livro na vida dizendo o que é certo e errado, que a ciência é um complô de pecadores, que o aborto é crime, que a maconha é do diabo e que mangalafengarritutuquapa... Nossa, como é difícil falar em línguas, não?!

 Eu sei que alguns podem pensar "Nossa, de novo falando de religião! Muda o disco!", porém dessa vez o assunto é muito mais grave.

 Antes de mais nada, as pessoas podem acreditar em qualquer coisa, de negar fatos, de se atrelar à estupidez. Você tem o direito de ser burro o quanto quiser, interpretar mitologias ao pé da letra a vontade. Entretanto, você não tem o direito de enfiar goela abaixo da sociedade suas crenças de Beto Carreiro World.

 Em 2011, o Deputado Federal João Campos, do PSDB de Goiás, criou uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que, basicamente, transforma o Brasil numa teocracia. A proposta seria para que Instituições Religiosas tivessem o poder jurídico de tornar constitucional ou não leis, ou atos normativos perante a constituição Federal. Sim, a rapaziada que acredita na cobra falante voadora terá, caso seja aprovada tal PEC, o poder de legislar, mesmo não sendo apontados democraticamente.

 Essa é uma das medidas mais perigosas, retrógradas e incrivelmente ameaçadora ao Estado democrático de direito que eu já testemunhei. Simplesmente a laicidade vai pro espaço (que eles não acreditam que exista), temas de relevância social, medicinal e científica ficam dependentes da aprovação ou não das pessoas que bebem vinho achando que é sangue e fazem fiéis se debaterem no palco, como um peixe suicida que foge do aquário.

 Resumindo, nós voltamos aos gloriosos dias onde a religião comandava a política. Tempos tão gloriosos e prósperos que nós os chamamos de IDADE DAS TREVAS. Em pleno 2013, há uma ameaça real de retornamos ao século XIII, onde os brilhantes sacerdotes cristãos falavam que a terra era achatada, como seus pênis, que doenças eram causadas por demônios, que uns acham que estavam comandando a Comissão de Direitos humanos, e que a Terra era o centro do Universo, como o cu desses fundamentalistas é o centro pensante de seus corpos.

 O Deputado João Campos - criador da proposta que visa cagar em nossas cabeças-, de tão cristão, conseguiu financiar sua campanha com a benção da indústria bélica. Claro, não há nada mais cristão do que armas. Elas são inflexíveis, não pensam e são capazes de estourar seu cérebro.

 A situação é muito séria, pois a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), junto com seu relator, Bonifácio Andrada (PSDB de Minas Gerais), deu parecer favorável a tal PEC e ela está a ponto de ser votada (os links do site da Câmara dos Deputados que mostram o andamento da PEC estarão no fim do post).

 Imaginem viver em um país onde o progresso científico seja oficialmente impedido, pois alguns padres e reverendos possam ficar com raivinha dos resultados que apontam, mais uma vez, que suas crenças são bosta de cavalo? Ou que uma pessoa possa ser processada por criticar essas instituições estelionatárias, discriminatórias e retrógradas? Ou que homossexuais sejam perseguidos e que tudo esteja ok perante a lei? Ou que mulheres não possam reivindicar um tratamento igualitário? Não é uma ameaça apenas aos que não são cristãos, mas sim contra todos que lutaram para que possamos ter o direito de sermos livres pensadores, de expor nossas crenças (ou descrenças) livremente, nossas opiniões, nossas críticas.

 Há duas petições online contra a aprovação dessa PEC (deixarei os links abaixo) e que todos tem o dever civil de assinar e impedir essa cagada na cabeça de toda a sociedade ocidental, que tanto critica a predominância da teocracia no Oriente Médio.

 Religião é apenas uma opinião, ela não deve ser imposta, não deve ser legislada, muito menos ser tratada como uma verdade que esteja acima de qualquer crítica, questionamento e opinião. A sua bíblia fica na gaveta e sua religião deveria ficar apenas em sua cabeça. Afinal, pelo visto há espaço de sobra por aí!



Abaixo assinado da avaaz: http://www.avaaz.org/po/petition/Rejeicao_da_PAC_9911/?wEoFTab

Abaixo assinado da change: https://www.change.org/petitions/irm%C3%A3os-na-discord%C3%A2ncia-rejeitem-a-pec99-em-nome-da-laicidade-constitucional?utm_campaign=friend_inviter_chat&utm_medium=facebook&utm_source=share_petition&utm_term=permissions_dialog_false


Andamento da PEC: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=524259

Sessão que deu parecer favorável à PEC: http://www.camara.gov.br/internet/ordemdodia/ordemDetalheReuniaoCom.asp?codReuniao=31230

domingo, 3 de julho de 2011

Onde estás, oh, tão sonhada democracia??

Vivemos em um mundo completamente idiota. A hipocrisia reina em todas as esferas da sociedade, sem nenhum exceção. Não há a menor razão na mente dos ditos "seres racionais" que perambulam por aí a procura de um Applebee's, um Ipad e um sapato novo da Chanel.

Amigos, vamos ser sinceros! A humanidade como um modelo de transformação e aprendizado falhou. Não há nenhum aprendizado nos debates sugeridos; todos continuam presos em suas bolhas de masturbação ideológica e não admitem opiniões contrárias aos seus preconceitos, conclusões errôneas e babaquices em geral.

O Brasil não é o país mais idiota do mundo, até porque a maioria das nações enfrentam os mesmos dilemas e dificuldades que nós enfrentamos por aqui. Entretanto, como não sou de todo pessimista, há como mudarmos a situação e realmente fazermos valer aquela última palavrinha escrita em nossa bandeira (se você precisou abrir o google images para saber que palavra é essa, saia daqui agora! Vai se foder com um bambu incandescente de 1 metro de comprimento, enquanto um babuíno com sarna vomita sangue na sua boca, imbecil!).

Somos uma democracia muito jovem. Não há nem 30 anos que nossa constituição atual foi escrita e ovacionada. Por isso mesmo não devemos chamar o que existe por aqui de democracia, pois não é. Só há democracia quando a população em geral entende que todos tem direitos, todos tem deveres e que o respeito mútuo é necessário para que haja uma nação de verdade, fortificada e que, se não for inteligente, que seja pelo menos respeitosa.

Nós vivemos numa Majoricracia. Ninguém da a mínima para as minorias do país, às vezes nem as próprias minorias! O que testemunhamos em telejornais, jornais, portais de notícias e conversas com taxistas (amigo Tardelle, não fique revoltado por eu ter citado tais trabalhadores aqui) é um massacre da maioria em qualquer ramificação minoritária da sociedade brasileira.

Vamos à lista de absurdos pensados e promulgados pela maioria estúpida do nosso país: os gays não podem ter direito a se casarem, porque a maioria fica incomodada com suas maluquices religiosas sobre o sexo; todo preto é um bandido até que se prove o contrário; as mulheres não podem ganhar o mesmo que os homens, porque elas tem um útero; os usuários de drogas são um bando de marginais que compram drogas só para que o tráfico matem outras pessoas; os favelados são todos mal educados sem fone de ouvido.

O pior de tudo é que os políticos amplificam os murmurinhos no planalto central, pois se eles não concordarem, não são eleitos. Aqui ninguém dá a mínima pro que é certo ou errado, a maioria só se importa com o que as agrada. As pessoas aqui acham que as empregadas domésticas tem "direitos demais"! Não há como ser mais estúpido do que achar que pessoas carentes que trabalham quase como escravas e são obrigadas a dormir fora de casa muitas vezes tem direitos excessivos.

Não consegue-se debater a descriminalização das drogas seriamente por conta de conceitos estabelecidos, sem nenhuma cientificidade, na cabeça das pessoas por pressão midiática que começou com Reagan lá nos anos de 1980 para justificar ações militares em outros Estados, foi "A guerra contra as drogas". Chupem-me com gosto! A ciência está aí provando que a maconha é bem menos prejudicial que outras drogas lícitas e que auxilia no tratamento do câncer e outras doenças. Só que ninguém aceita tal fato.

Se você não faz parte da maioria, foda-se! É assim que funciona e funcionará por muitos anos se ficarmos ignorando os que aplaudem um pastor imbecil da Assembléia de Deus (redundância) que é juiz e vai contra a determinação do Supremo Tribunal federal, anulando uniões estáveis entre homossexuais e MENTINDO sobre a Constituição Federal. Pior ainda é chamar os bombeiros (fica aqui o meio apoio incondicional à classe na sua luta legítima) de marginais, vândalos ou qualquer coisa do tipo, ou os viciados em droga de bandidos, ou só fazer passeatas quando uma criança da classe média/alta morre, enquanto cruzamos os braços quando um menino da favela desaparece depois de ter sido baleado por policiais, e é tão ruim quanto não se revoltar e protestar contra o ensino religioso em escolas públicas, que ameaça mais do que qualquer coisa laicidade do Estado, que pode vir a prejudicar o conhecimento verdadeiro das ciências. Criacionistas devem estar tendo orgasmos com isso, já que não comem ninguém, tem que gozar com isso. É a vitória da crendice sobre a razão, do obsoleto sobre o eficiente, da mentira sobre a realidade.

A luta feroz e necessária que vemos hoje dos homossexuais, não é só deles. Esta luta a mesma dos negros, do movimento feminista, dos bombeiros e de qualquer outro extrato da sociedade que brigue por seus direitos. Sim, meus caros, as minorias tem direitos!

Gritemos juntos, antes que todos sejamos amordaçados e obrigados a ouvir os risos de um Leviatã Fascista.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Passagem para o leste e passos para trás.


Muitos não entendem o porquê de não acreditar cegamente, ou a descrença em histórias grandiosas que dão um significado a tudo que se vê, sente e vivencia no cotidiano. Porém, não param para observar quão maravilhosa a realidade é, que o sentido defendido pela bandeira da fé pode ser tão raso quanto um prato de sopa.

 Crer não é mais do que um vício perpetuado nos memes de várias sociedades incapazes de explicar com seu próprio raciocínio aquilo que espantava a mente dos mais sábios seres humanos da época; como um relâmpago, ou um vulcão em erupção, talvez um eclipse, ou até mesmo uma simples chuva fora de época. O medo de não entender fez com que pensássemos que a não compreensão era o objetivo, que tudo estava sob o monopólio de um ou vários seres acima de tudo, com poderes inacreditáveis, capazes de criar e destruir o mundo com um simples pensamento: somos inferiores e, portanto, incapazes de entendê-lo(s).
 Qual o mal dessa simples crença? Uma explicação imaginativa, cheia de criatividade não deveria causar indignação em nenhuma pessoa.

 Só que o poder do mito é muito inferior ao da mitologia. Os homens observaram que deter a palavra e as normas de Deus era uma ferramenta muito útil. Fazia com que as pessoas obedecessem tudo o que era dito pelos representantes divinos, se subjugassem aos interesses deles, criava um conformismo camuflado de ordem em uma sociedade. E tal aspecto só progrediu geometricamente ao longo dos séculos, da mesma forma que a população mundial.

 Sangue derramado, barbáries, segregação, ódio inflamado por sede de poder, genocídios, corrupção, desrespeito, homens sábios desonrados em nome do status quo religioso, mulheres apedrejadas, queimadas, estupradas por instrumentos de tortura, homens enforcados, esquartejados, também queimados, decapitados, mutilados. Tudo isso apenas por pensarem "E se?". E se não há nada? E se eu tenho o direito de ser livre? E se a Igreja não estiver certa? E se a Terra não for o centro do universo? E se o ser humano está acima do livro sagrado? E se eu tenho o direito de fazer o que quiser com o meu corpo? E se os profetas eram lunáticos? E se eu sair sem o meu véu? E se evoluímos de outras espécies como as evidências mostram? E se eu amar alguém do mesmo sexo? E se negros e brancos forem iguais? E se tudo aquilo que eu ouvi durante toda a minha vida, tudo que me foi ensinado, repetido como mantra e perpetuado por todos que conheço estiver errado? E se eu fizer meu próprio destino?

 Todos esses massacres forem sustentados pelo desejo humano de sentir-se confortado, ou em paz com uma ideia metafísica. Tudo foi patrocinado por pessoas boas que não tinham a menor intenção de fazer mal a outrem. O efeito borboleta em sua forma mais dinâmica e implacável.

 Antes de acreditar é preciso ter a sensatez de não saber. Misturar fé com entendimento gera nitroglicerina social que reage com qualquer movimento mais brusco de um Zeitgeist e cria uma sociedade implosiva, potencialmente suicida. Tenha fé se quiser, mas jamais a use com a arrogância que o fanatismo prega ao tentar substituir o conhecimento empírico, palpável. Não busque justificativas levianas sem antes buscar as explicações sensatas e coerentes. Não coloque nada acima de si mesmo ou de qualquer outra pessoa.

 Você não está sozinho. Basta olhar em volta, não para cima.


Feliz Páscoa!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Divina ignorância.


Não é nem um pouco necessário martelar e insistir em dizer o quão falhas são as religiões, todas elas! Esse post não vem dizer o que todos sabem, mas sim tentar explicar o porque das crenças serem terríveis.

Se olharmos para cada uma delas, veremos que todas tem um ponto inicial em comum: a dúvida. Dúvida do que acontece depois da morte, de fenômenos aparentemente inexplicáveis, de como chegamos até aqui e por aí vai. É incrível imaginar como muçulmanos, judeus, cristãos, espíritas, hindus, pagãos em geral, todos, absolutamente todos iniciam sua 'jornada espiritual' a partir do mesmo ponto. Entretanto, a origem ou o fim de cada uma delas é praticamente irrelevante, já que não afetam absolutamente em nada a vida de ninguém, nem mesmo de seus seguidores, o detalhe que incomoda e dirige a humanidade para um caminho perigoso é o conteúdo entre o início e o fim.

A crença religiosa é perigosa, parafraseando Bill Maher, pois "fazem com que homens que não sabem nada, achem que sabem de tudo". Resumindo, trás para o indivíduo um valor absoluto e inauterável da verdade e que ela deve ser seguida da forma como determinada religião exige.

Toda e qualquer religião é infantil, pois alimenta um pensamento que nutrimos na infância. Homens invisíveis, mágicas, felicidade eterna e plena, tudo isso faz parte do folclóre de toda criança. Só que quando somos adultos, ou quase adultos, mas alimentamos essas fantasias, há algo de errado e muito perigoso. Primeiro porque temos autonomia em nossas decisões, por mais bestas que possam ser, segundo porque somos incapazes de admitir que um valor estupidamente proliferado há milênios possa estar errado, ou seja, temos um apego fanático às tradições (não todos, mas muitos, a maioria). Somos ensinados que uma conduta é certa e a outra não, enquanto outras pessoas são ensinadas de forma oposta. Querendo ou não, mais cedo ou mais tarde, essas pessoas se encontrarão e o choque paradoxal entre os ensinamentos ocorrerá.

Por mais que uma religião "pregue" a paz, o amor, ou qualquer outro sentimento bom e autruísta, isso jamais ocorrerá, pois ela também ensina uma verdade incontestável que basta ser questionada por um minuto por alguem que leva a discórdia, profunda discórdia. Obviamente que não são todos os religiosos que sairão por aí tacando pedras e pedaços de madeira em quem não concorda com eles, óbvio que não, mas sempre existirão alguns e isso basta para o caos aparecer.

Outro aspecto mesquinho que é disseminado pelas crenças é a arrogância plena e total, mesmo que não seja manifestada. Tal característica é estúpida e degradante, faz com que os fiéis se sintam plenos de saber apenas ouvindo o que um homem fala de um livro qualquer sem nenhuma evidência palpável. Muitos renegam fatos científicos, pesquisas sérias e até mesmo se manifestem contra algum tipo de experiência que pode vir a ajudar milhões.

Se existem várias religiões, cada uma com um ou mais deuses diferentes, pregando valores diferentes e condutas diferentes, a lógica nos leva a a conclusão de que eles não sabem do que estão falando. A mesma lógica, odiada por todas as seitas ferrenhas por seguidores e pequenas ovelhas adestradas, nos leva a mais uma conclusão: não há nada a se falar, pois não há do que se falar. Simplesmente 'não há'.