
Convenhamos que não foi um comentário muito feliz e que devemos sim ficar incomodados com esses tipos de coisa, até porque é sobre a nossa pátria. Porém temos que parar com a hipocrisia, não é? A maioria dos brasileiros, literalmente, caga e anda para a situação política e/ou social em que o país se encontra. Alguém assiste no Jornal Nacional sobre um caso de corrupção, fica revoltado e, entre um copo de tang e outro, comenta com os familiares: “Que absurdo! Viu? Quem mandou votar no Lula nove e meio?”. Logo após esse jantar de indignação, senta no computador e vai olhar o Twitter da Fátima Bernardes falando sobre suas 215 toucas diferentes.
O problema é que só nos tornamos extremamente patriotas na Copa, ou quando um estrangeiro fala mal dessa bela democracia em que vivemos. Deveríamos era nos preocupar com o que acontece e é falado aqui, não com o que os outros falam, até porque isso não é mais crime em nossas bandas.
Agora uma coisa que não posso deixar de comentar. Tudo bem, também não achei legal o que o Sly disse, mesmo sabendo que foi sarcasmo, entretanto o terrível foi ver como a maioria das mais cultas; célebres; engajadas; e paranoicas pessoas, se mobilizou. Criaram um movimento de tamanha importância que só foi superado pelo tombo da Ana Maria Braga, a ração para cães “Samudio” e o maldito cofre do Clodovil... sem piadinhas retardadas. Foi inventado o movimento “Cala a boca, Stallone!”
Sério, só eu acho que a juventude está tão rebelde quanto o Padre Marcelo Rossi erguendo as mãos? Sou o único a ver que o maior esforço do brasileiro em mudar alguma coisa é feito com uma frase besta e sem a menor relevância repetida mais vezes do que o episódio da viagem para Cancun do Chaves?
Todo esse besteirol tupiniquim me recorda de uma bela anedota que ocorreu aqui no Rio de Janeiro, nas últimas eleições para prefeito. Houve várias denúncias contra Eduardo Paes que marcaram a disputa entre ele e o Fernando Gabeira. Pois bem, sem entrar no mérito de opinião pessoal de quem era o melhor, Paes venceu, contudo a atmosfera era de suspeita e frustração, já que sua campanha se notabilizou mais pelo disque-denúncia do que pelas propostas. O mais bizarro foi o que as pessoinhas fofinhas e maravilhosas do meu coração, que votaram em Eduardo Paes, fizeram após isso. Elas justificavam qualquer suspeita em cima do citado ener... engur... enfim, desse carinha aí, com a frase: “Mas o Gabeira vai liberar a maconha.” POOOORRA, SEU ANIMAL! Como um prefeito vai liberar o uso de algo proibido em escala federal? Como, filho da puta? Estúpido, cocôzento! Mas tudo bem, Eduardo venceu de qualquer forma e grande parte dos eleitores do Gabeira organizou o Movimento “Pró Democracia”, que questionava as denuncias contra o Duda. A passeata foi um sucesso em relação ao número de pessoas, mas uma completa perda de tempo se pelo lado prático. Primeiro que muitos foram sem saber do que se tratava; um amigo do amigo do primo falou que ia ser legal, teria gatinhas de nariz de palhaço (deve ser um fetiche novo e avassalador, imaginem as piadas durante o sexo oral?). E segundo: fotos! Sim, fotinhas para o álbum do Orkut intitulado “Somos cidadÕES!”. Conheço inúmeros desocupados e debilóides que foram preencher o seu perfil com inúmeras poses e legendas sem sentido. Caso você perguntasse o porque dessa ameba estar lá, iria dizer:
_ Por que você quer ir?
_ Votei no Gabeira!
_ Ah sim, soube das denúncias, não é?
_ Ahn? Denunciaram o perfil dele? E aí, o Orkut deletou?? (AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH)
Bem, vou terminando por aqui mesmo sabendo que esse tema poderia render muito mais e que, mais do que nunca, vejo que o futuro do Brasil está nas mãos de retardados twitteiros e amantes de Stop na web. Aliás, esses jovens têm tanto talento e carisma quanto o ídolo nacional, quiçá, mundial, quem sabe... hemorroidal: Fiuk.